Os Anciões e a Chama
Reflexões de Manathor Sobre a Eternidade
Sabedoria Popular da seção “Os Anciões e a Chama” do diário: 2 entradas, lidas em 2 locais na região Berço da Brasa.
Onde se lê
A Chama Mãe nos concede vida. Ela permite que andemos pela Terra em busca de sabedoria e descoberta... E quando voltamos até ela carregando nossos presentes, ela a toma de volta. Por um tempo, pelo menos.
Dessa forma, as almas, ou fagulhas, dos Ancestrais são limitadas. Elas residem na luz, conectadas a tudo o que veio antes e ainda está por vir, até serem expelidas e renovadas.
O ciclo é sagrado. Sua pureza é impecável.
Mas uma fagulha não pode existir sozinha. É apenas uma consciência, uma alma, um núcleo de memória que necessita de um anfitrião. Para abrigar uma fagulha, precisamos de uma casca. Cascas são descartáveis. Elas se desfazem quando o nosso fim se aproxima, e não devem ser lamentadas.
Se perecermos longe do alcance da Chama (algo improvável, pois reinamos eternamente), então nós nos perdemos até voltar para a luz dela.
- Manathor
Antigamente, a Chama Mãe produzia uma fagulha a cada solstício. Agora, temos sorte se recebemos uma "cria" a cada década. Nossos números têm diminuído desde que os mais jovens entre nós começaram a se meter com a humanidade.
Isso é vergonhoso. Uma mancha em nosso orgulho e neutralidade. Desperdiçar a vida de alguém... abandonar o círculo, desprezar o abraço da Mãe em nome de algo tão risível quando empatia... é lamentável.
Mas ainda devo admitir... Como o mais velho, posso sentir o chamado da Chama Mãe, mas a incerteza me atormenta, então eu também rejeito o chamado.
Porque nem sempre foi assim, não é mesmo? As vozes na Chama, ecos pelo tempo e espaço, falam sobre pais. Irmãos. Filhos. De famílias e origens que eram livres e não se renovavam... Mas seus sussurros sangram juntos, acorrentados como um só.
Nós costumávamos nascer. Costumávamos morrer. Costumávamos ser lembrados. Então, o quão inflexível se tornou nossa jornada? O quão memorável ou facilmente esquecido posso ser? ... E o quão errados, verdadeiros ou imutáveis somos, de fato?
- Manathor
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